sexta-feira, 13 de novembro de 2015


Familiares dos 11 mortos da chacina em Messejana acusam "policiais fardados" de terem praticado as mortes. Secretaria de Segurança monta força-tarefa para apurar o caso

quinta 4 009Em entrevista na manhã de hoje à TV Verdes Mares, familiares de algumas das 11 pessoas assassinadas na madrugada desta terça-feira (12) nos bairros Curió, Lagoa Redonda e São Miguel, acusaram policiais militares “fardados” de invadirem residências e matar as vítimas. Já a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) decidiu montar uma força-tarefa para apurar a matança.
“Eles invadiram nossas casas, arrastaram as pessoas e mataram com tiros na cabeça. Estavam fardados e não respeitaram nem as crianças que estavam dormindo”, contou uma mulher à Reportagem.  Outra  moradora, uma jovem, informou que sua residência foi atacada por “policiais”, que arrastaram seu sobrinho e o executaram com vários tiros na cabeça.
Em entrevista  à TV, logo após os relatos dos moradores, o chefe do Comando do Policiamento da Capital (CPC), coronel PM Francisco Souto, explicou que todas as informações que  todas as colhidas deverão ser apuradas pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que ficará responsável pela investigação das 11 execuções sumárias.
Identificação
Das 11 vítimas mortas entre zero e 3 horas da madrugada desta quinta-feira, apenas quatro corpos haviam chegado à sede da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) até o fim da manhã. Três deles não haviam sido identificados. Somente  um foi cadastrado na Coordenadoria de Medicina Legal (Comel), já devidamente qualificado. Tratava-se de Antônio Álisson Inácio Cardoso, cujo corpo foi recolhido por volta de 0h20 na Rua Lucimar de Oliveira, no bairro Curió. No mesmo local, outro cadáver foi encontrado. O duplo assassinato se somou a mais nove execuções.
O terceiro corpo (do sexo masculino) foi encontrado, crivado de balas, por volta de 1h20, na Rua Professor José Artur de Carvalho, também no Curió. E o quarto, por volta de 1h20, na Avenida Professor José Artur de Carvalho, no mesmo bairro, totalizando quatro execuções.
Além deles, mais sete pessoas foram executadas nas horas seguintes. O último assassinato ocorreu já por volta de 3 horas, na esquina das ruas Elza Leite Albuquerque e Joana Soares, no Conjunto São Miguel.
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No “Frotinha” de Messejana, pelo menos, nove pessoas baleadas deram entrada ali durante a madrugada e quatro acabaram falecendo ainda na Emergência. Entre os mortos estariam dois adolescentes cujos corpos, juntamente com o de um terceiro rapaz, foram transportados até o hospital na caçamba de uma pick-up. As imagens da chegada dos feridos foram registradas em um vídeo publicado, em primeira-mão, pelo site cearanews7.com.br ainda no começo da manhã desta quinta-feira. 
Quatro delegados estarão no comando das investigações sobre a chacina, com uma equipe de 15 inspetores e escrivães. Por determinação da SSPDS, outros  setores das polícias Civil e Militar vão colaborar nas diligências, como a Unidade Tático Operacional (UTO) da Divisão Antissequestro (DAS), e a Coordenadoria de Inteligência Policial (CIP), órgão integrante do Comando-Geral da PM.
Hipóteses
Pelo menos, três linhas de investigações estão sendo consideradas. Uma delas, suposta vingança pelo assassinado de um traficante, na tarde de ontem, no Anel Viário.  Tratava-se de Lindemberg Vieira Dias, que sofreu uma emboscada e foi executado com mais de 30 tiros de fuzil e pistolas. Ele tinha acabado de sair do Presídio do Carrapicho, em Caucaia. Lindemberg era o chefe de uma das quadrilhas que atuam na Grande Messejana.
A segunda linha,  diz respeito a uma possível retaliação entre dois grupos de traficantes pela prisão, no dia anterior, do traficante de drogas  Carlos Alexandre Alberto da Silva, o “Castor”, capturado com um fuzil e uma pistola de calibre 45 milímetros, numa operação de policiais do 6º DP (Messejana),  em Pacatuba.
Por fim, a terceira linha da apuração, não descarta a hipótese de uma vingança pelo assassinato de um policial militar, ocorrido durante assalto no bairro  Lagoa Redonda, na noite de quarta-feira. O soldado Valtemberg Chaves Serpa, 32, foi baleado e morto ao reagir contra assaltantes que haviam rendido sua esposa, em um Centro de Treinamento de Futebol.

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