segunda-feira, 9 de novembro de 2015


Outra criança nasce sem membros no Ceará; agora, em Reriutaba

Depois de o Brasil conhecer o caso de Miguel, o bebê que nasceu sem os membros, a pequena Vitória, que mora no município de Reriutaba, a 300 km de Fortaleza, mostra que ele não está sozinho.
A bebê de 4 meses nasceu na zona rural do município de Reriutaba, no distrito de Sombrio, com 9 meses e 15 dias, saudável e distribuindo sorrisos.
Sua mãe, Naíde de Sousa, de 18 anos, conta que descobriu a situação de Vitória ainda durante a gestação. “Com 6 meses, fiz um ultrassom de rotina na Santa Casa da Misericórdia de Sobral, e o médico disse que ela não tinha os braços nem as pernas. Eu não acreditei, as pessoas diziam para eu crer no médico, mas eu duvidava. Só acreditei quando eu vi, no dia que ela nasceu”.
Naíde namorava com o pai da criança, Rafael Lopes de Azevedo, de 23 anos, havia dois meses e planejavam ter filhos. “Quando ela nasceu, eu só consegui sentir muita alegria”. Segundo ela, o médico a explicou que, apesar as dificuldades, Vitória teria muita saúde.
Morando próximo aos avós paternos e maternos, Vitória é amada por toda a família. Rafael, o pai da criança, trabalhava como agricultor, e atualmente está desempregado pela falta d’água na região. “Construímos nossa casa no terreno dos pais dele, e agora moramos nós três juntos. Ele acompanha Vitória em tudo, está sempre presente”, conta a mãe. A família sobrevive de ajuda da família, amigos e desconhecidos.
“Como nunca tinha acontecido isso aqui na cidade, muita gente tirava foto da Vitória e colocava na internet, até que as pessoas foram conhecendo e querendo ajudar”.
Solidariedade
Através do caso do Miguel, a microempresária Julianna Cordeiro conheceu Vitória. “Visitei o Miguel, e a tia dele me disse que tinha o caso parecido com o dele de uma criança no interior”. Julianna conta que buscou na internet o contato da menina, e através da avó paterna de Vitória, conseguiu conhecer um pouco mais sobre a família.
“Eu e minha irmã, Germana Chaves, divulgamos o caso em nossas redes sociais, pedindo doações para a família. Fizemos uma pequena campanha e algumas pessoas logo se manifestaram”. Julianna e um pequeno grupo conseguiram doações, desde produtos básicos até auxilio na reforma da casa da família, mas aponta que a maior dificuldade é levar Vitória para o tratamento médico quinzenal.
No Instituto Primeira Infância (Iprede) a menina recebe tratamento pediátrico, genético, nutricional e psicológico. Segundo a mãe, a maior necessidade é ter um transporte que leve a família a Fortaleza para que o tratamento seja feito com sucesso.
Qualquer tipo de ajuda é bem vinda, conta Julianna, que conheceu de perto a situação da família. “Para pessoas de Fortaleza que desejam enviar doações, podem entrar em contato comigo, que combinamos uma forma de recolhê-las em diferentes pontos da cidade e levar para a família”. Os interessados devem entrar em contato através de ligação ou Whatssap para o número (85) 9-8760-6416.
Entre as doações de fraldas e cestas básicas, estava um livro “Uma Vida Sem Limites – Inspiração Para Uma Vida Absurdamente Boa”. O autor é Nicki Vujic, um australiano nascido sem pernas e braços devido a rara síndrome tetra-amelia. No livro ele conta sobre suas dificuldades e superações de vida, o que serviu de inspiração para toda a família.
“Através do livro do Nicki que a Vitória recebeu para ler quando estiver maior, a gente pode ter uma ideia das dificuldades, ver que quando ele era criança, muitas pessoas chamaram ele de aberração, mas hoje em dia ele superou tudo isso, e tem até família”.
Mas não precisa ir tão longe para conhecer alguém inspirador. Vitória e sua família conheceram o Miguel pessoalmente. “Fiquei muito feliz quando eu vi o Miguel. Vi que não tem só a Vitória assim no mundo. Tem outra pessoa igual a ela, e eles podem se conhecer direto quando crescerem”.

Causas, tratamentos e a relação entre Miguel e Vitória
Segundo a Pediatra Dra. Regina Kátia Braga, não há um motivo específico para a má formação. “Existem algumas medicações que contribuem. Na década de 1970, casos como esse eram muito comuns por conta do uso de uma substância chamada Talidomida durante a gestação”. Outros motivos, como herança familiar e má formação genética, também podem ser apontados. “Nos primeiros meses de vida, pode haver algum erro de deleção no cromossomo, e causar a má formação”.
Contudo, a pediatra afirma que se houver um número significativo de casos acontecendo na mesma região, a saúde pública deve investigar. No caso de Vitória e Miguel, ela acredita que não há relações, por ter sido em cidades distintas. Não deve haver consanguinidade.
A saúde dos pequenos segue bem, mas a família deve atentar para os tratamentos que ajudem o desenvolvimento da criança e mantenham a saúde plena dos filhos. “A Terapia Ocupacional é primordial na vida dessas crianças, com o tratamento principalmente nos primeiros meses de vida. O tratamento nutricional deve ser seguido, além de acompanhamento psicológico para a criança e para a família. Deve ser uma ação de multiprofissionais”, explica Regina.
Para ajudar Vitória com depósitos financeiros, a família pede qualquer quantia:
Bradesco
Agência: 5450
Conta: 0000395-6
José Nilton de Azevedo (CPF: 000588793-31).

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