quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Coluna da quinta-feira

    Impeachment passa folgado 
No dia de ontem, véspera  do início do julgamento final do impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff, no Senado, 51 senadores declararam que votarão a favor do impeachment, segundo levantamento do jornal O Globo. Disseram que votarão contra 19 e não quiseram manifestar seus votos ou não foram encontrados 11 parlamentares. Na votação da chamada pronúncia, quando Dilma virou ré, foram 59 votos a favor e 21 contra. São necessários 54 votos, entre os 81 senadores, para a condenação definitiva de Dilma à perda do mandato e à inelegibilidade por oito anos.
O julgamento começará na manhã de hoje. Na primeira fase, só testemunhas serão ouvidas, o que deve acabar sábado. Na próxima segunda-feira, Dilma fará sua defesa e, em 30 e 31, haverá discursos e a votação. Apesar de ainda não haver tal número, o clima é favorável ao impeachment. Vários senadores que não declararam sua preferência informaram às suas bancadas que votarão pelo afastamento definitivo da petista.
Nos bastidores, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tem sido pressionado pelos aliados a fazer o mesmo, mas ele disse que ainda analisa a situação. Quais as chances de Dilma ser absolvida? Projeções feitas com base nas informações disponíveis mostram que são praticamente nulas. Os votos esperados pela condenação de Dilma variam entre 55 e 59, podendo chegar a 62 nas várias simulações da mídia, patamar confortavelmente superior aos 54 necessários para condená-la.
Supõe-se que um senador que já votou contra Dilma tem maior chance de repetir seu voto. Importa menos que ele tenha declarado ou não o que fará a este ou aquele jornal. Alguns exemplos podem ajudar a entender melhor o critério. Tome os casos de votos dados como indefinidos, como os senadores Benedito de Lira (PP-AL), Fernando Collor (PTB-AL), João Alberto Souza (PMDB-MA), Wellington Fagundes (PR-MT) ou José Maranhão (PMDB-PB).
Todos eles já votaram sistematicamente contra Dilma no plenário, em pelo menos cinco oportunidades. Fagundes ainda votou contra Dilma também na Comissão Especial do Impeachment. Outro caso dado como indefinido, o senador Otto Alencar (PSD-BA), tem votado sistematicamente a favor de Dilma.
Pelo critério mais frouxo, a projeção aponta 59 votos pelo impeachment, exatamente o resultado da última votação no Senado. Ainda que seja adotado o mais rigoroso dos critérios (só é dado como certo o voto de quem sempre votou contra Dilma e se declara a favor do impeachment em todos os levantamentos), a projeção resulta em 55 votos a favor votos pelo impeachment e 25 contra. Isso contando com a abstenção de Renan Calheiros, o que totaliza 81, a composição da Casa.
SAINDO DO MURO – O senador Benedito de Lira (PP-AL) assumiu seu voto, alegando que agora, com o quadro já definido, não há mais motivo para não declarar sua posição. Ex-ministro de Dilma, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM) também se manifestou pela condenação. No caso dos aliados de Dilma, o senador Elmano Férrer (PTB-PI) disse que manteria sua posição contra o impeachment. O Palácio do Planalto ainda tenta mudar seu voto.
Reinado do PSB ameaçado– Empresário do ramo funerário, responsável pela ascensão do time do Salgueiro, Clebel Cordeiro (PMDB) tem amplas chances de por abaixo a era do PSB no município de Salgueiro, que já dura 16 anos. Segundo pesquisa do Instituto Opinião, postada ontem neste blog, o peemedebista abriu uma frente de 18 pontos sobre o ex-secretário Marcelo Sá, do PSB, apadrinhado pelo prefeito Marcondes Libório e a ex-prefeita Creuza Pereira, hoje no exercício do mandato de deputada federal como suplente. Cordeiro montou uma ampla coligação, tendo como vice o desembargador aposentado Chico Sampaio e o apoio de seis vereadores dos 14 vereadores da Câmara, além do deputado federal Gonzaga Patriota, que abriu uma dissidência no PSB.
Um novo Campos Arraes– Candidato a prefeito de Olinda pelo PSB, o advogado Antônio Campos já virou pauta nacional. Em entrevista ao jornal O Valor, falou dos seus projetos para governar a Marim dos Caetés. Provocado sobre a sua entrada na política como irmão do ex-governador Eduardo Campos, afirmou que não entra na disputa para virar sucessor do mano. “Não sou sucessor do meu irmão, nem do meu avô Miguel Arraes. E nunca disse que era. Sou um novo Campos Arraes na política”, afirmou.
Justiça mais célere–O presidente da Associação Nacional dos Desembargadores (Andes), desembargador Bartolomeu Bueno, assumiu, ontem, a presidência da 1ª Câmara Extraordinária Cível, do Tribunal de Justiça de Pernambuco, atendendo determinação do Conselho Nacional de Justiça, que recomenda a criação de Câmaras Extraordinárias para conferir celeridade à resolução de processos mais antigos. Segundo ele, o início das atividades irá contribuir de forma significativa para dar mais agilidade à tramitação de processos no 2º Grau. "Com a instalação, a Presidência do TJPE cumpre com a principal função da Justiça, que é servir à população com eficácia e celeridade”, afirmou.
Debates só com Geraldo– Alvo da metralhadora dos candidatos em baixa nas pesquisas, o ex-prefeito João Paulo, que disputa a Prefeitura do Recife pelo PT, resolveu, ontem, adotar a estratégia do prefeito Geraldo Júlio (PSB). A partir de agora, não poderá atender mais pedidos de debates promovidos por entidades da sociedade civil. “João Paulo só irá a debates que tenham a presença do candidato da situação. Como oposição ao governo municipal, a coligação Recife pela Democracia acha essencial discutir as questões do Recife com o atual prefeito, pois, por razões óbvias, a cidade que ele administra é o ponto central da campanha. Vale destacar que, à época que foi candidato à reeleição, em 2004, o então prefeito João Paulo nunca se negou a comparecer aos debates”, alegou o petista, em nota enviada pela assessoria.
CURTAS
VICE RENUNCIA– Em Jurema, no Agreste, o candidato da oposição a prefeito do município, Marconi de Geraldo (PDT), sofreu o primeiro revés da sua campanha: candidato a vice em sua chapa, Pedro Ferreira (PMDB), renunciou. Afirmou que o aliado não assumiu de fato a sua candidatura e por isso mesmo perdeu vários apoios para o prefeito Agnaldo Inácio (PR).
VICE AGREGA MAIS– Na reviravolta em Olinda com a renúncia do seu vice Antônio Cosmo, o Tota (PRP), o candidato a prefeito pelo PMDB, Ricardo Costa, acabou no lucro. André Luís Farias, o ALF, seu novo vice, tem uma relação histórica com a cidade, já foi deputado estadual e candidato a prefeito em duas eleições.
Perguntar não ofende: Renan Calheiros vai sair de cima do muro?



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