terça-feira, 14 de fevereiro de 2017


Pesquisas desenvolvidas na Unifor podem auxiliar no tratamento do câncer

 
À frente das pesquisas os professores Kaio Tavares, Leonardo Tondello e Saul Neto.
 
Pesquisas desenvolvidas na Unifor, produzidas no Núcleo de Biologia Experimental (Nubex), prometem uma nova forma de atacar diversos tipos de câncer. O desenvolvimento de biofármacos – substâncias medicinais produzidas a partir de organismos vivos – está sendo realizado e promete avançar as pesquisas de tratamento do câncer, atingindo com mais facilidade o resultado esperado e com poucos efeitos colaterais.
 
Entre os trabalhos em desenvolvimento, estão as pesquisas envolvendo a produção da L-Asparaginase, substância que atua no tratamento da leucemia; do anticorpo anti-CD20, para o tratamento de linfomas e doenças autoimunes; e do anticorpo anti-VEGF, para o tratamento de câncer de pulmão, colorretal, rins e ovários.
Os biofármacos não são sintetizados quimicamente em laboratórios, mas a partir de organismos vivos. A produção consiste a partir da coleta do leite de caprinos geneticamente modificados. Os benefícios são diversos, entre eles está a maior especificidade do tratamento, ou seja, o biomedicamento atinge partes específicas do corpo, reduzindo os efeitos colaterais. Apesar de sua grande eficiência, os biofármacos muitas vezes não substituem o tratamento com quimioterapia, mas a complementam, servindo como “ferramenta” valiosa.
Em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz – Unidade Ceará (Fiocruz-CE), os pesquisadores da Unifor buscam melhorar ainda mais os biofármacos por meio de desenvolvimento dos chamados Biobetters – biofármacos melhorados por meio de modificações moleculares que resultam na obtenção de efeitos colaterais ainda menores, que são ainda mais específicos ou que possuem maior meia-vida terapêutica. Isso possibilita um menor número de dosagens e maior espaço de tempo entre elas, do que os biomedicamentos atualmente disponíveis no mercado. Os pesquisadores contam também com a parceria do Instituto do Câncer, por meio de feedback sobre estatísticas relacionadas às reais demandas do Sistema de Saúde Brasileiro e, nesse contexto, sobre os fármacos biossimilares e biobetters que têm ou teriam maior demanda no mercado.
 
O projeto está na fase de produção. As próximas fases são de purificação, onde o leite coletado de animais transgênicos produzidos nos laboratórios da Unifor será submetido a etapas de purificação para o isolamento dos respectivos biofármacos. Neste caso, o leite é apenas veículo para a síntese dos biomedicamentos que serão de fato levados aos testes pré-clínicos farmacológicos e toxicológicos em animais, e aos testes clínicos em humanos. Sendo comprovadas a segurança e a eficácia dos biofármacos, ao longo de todos os testes, estes poderão ser levados ao mercado.
Atualmente, um dos principais objetivos dos pesquisadores é estabelecer e adequar-se à regulamentação de agências como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a produção de biofármacos a partir do leite de animais geneticamente modificados. A adequação a esta regulamentação viabiliza a transferência da tecnologia para o mercado e deverá facilitar a ampliação da rede colaborativa que garantirá o desenvolvimento, industrialização e comercialização dos biofármacos. O trabalho desenvolvido atualmente em caráter científico inclui cinco áreas do conhecimento: Engenharia Racional de Proteínas, Biologia Molecular, Biologia Celular, Embriologia e o trabalho de campo. A equipe é formada por 30 pessoas, sendo 25 da Unifor e 5 da Fiocruz.
Do Site da Unifor
 
 
 
 

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