quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017


PF desarticula grupo que atuava em Fortaleza na área do tráfico internacional de pessoas

Uma operação realizada pela Polícia Federal (PF), nesta quarta-feira (15), em quatro estados, resultou no desmonte de um grupo criminoso internacional especializado em tráfico de pessoas para fins de exploração sexual. De acordo com as investigações, as vítimas, mulheres na maioria dos casos, saiam dos estados do Ceará, Minas Gerais, São Paulo e Bahia e eram encaminhadas a partir de Fortaleza para a Eslovênia, via Milão, na Itália. O esquema era investigado desde 2013.
Segundo a Polícia Federal, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão, 13 mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e 18 mandados de condução coercitiva, expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal no Ceará. A operação foi realizada nos estados citados anteriormente. No Ceará, 10 prisões foram realizadas.
Segundo o superintendente Regional da Polícia Federal do Ceará, Delano Cerqueira, a capital cearense se tornou a rota principal do tráfico humano e prostituição.“Essa operação de hoje confirmou isso. Pessoas presas aqui em Fortaleza. A organização criminosa que existe desde 2010”, disse. Para o superintendente, o motivo para isto seria o turismo e a posição geográfica da cidade. A maior parte das vítimas eram pessoas de baixa renda.
O esquema contava com agências de turismo, em Fortaleza. A rede criminosa é composta por aliciadores, responsáveis pelo recrutamento, transporte, viagens para o exterior, acolhimento, alojamento e exploração sexual de vítimas (mulheres) nos países de destino.
 
Superintendente Regional da Polícia Federal do Ceará, Delano Cerqueira.
 
As investigações ainda apontam que as vítimas estavam cientes sobre o que fariam no exterior. Porém, não tinham noção sobre as condições em que seriam submetidas. As mulheres ficavam em situação de liberdade restrita, deviam pagar taxas e obter lucro. Caso não cumprissem as metas, eram ameaçadas. Entre os presos, estão cinco estrangeiros (três eslovenos e dois italianos), que tinham empresas de fachada, usadas para o recrutamento.
O crime de tráfico internacional de pessoas com a finalidade de exploração sexual é uma grave violação de direitos humanos, considerando a situação de vulnerabilidade das vítimas, que muitas vezes, iludidas pelos aliciadores, mediante fraude, são levadas a países da Europa e submetidas à condição degradante.
Os presos serão indiciados por crime de tráfico internacional de pessoas para fins de exploração sexual, associação criminosa e lavagem de dinheiro, com pena prevista de até 25 anos de reclusão.
A operação foi batizada de “Marguerita” em alusão ao nome da principal boate na Eslovênia onde se exploravam sexualmente as vítimas.


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