quarta-feira, 21 de junho de 2017

A Internet, as vendas e o futuro


Você é comerciante, industrial, prestador de serviços ou trabalha com agronegócio? Ainda não começou a vender ou divulgar a sua marca pela internet? Então, fique atento! Muitas coisas estão acontecendo no mercado lá fora e o seu negócio precisa aprimorar-se e adaptar-se às novas tecnologias. Para comprovar a força das vendas por e-commerce no Brasil, basta ver as receitas do ano passado. Foram cerca de R$ 44,4 bilhões com incremento em valores reais de 7,4% em relação a 2015. Podemos evidenciar esse aumento em algumas datas do calendário comercial.
Na Black Friday, por exemplo, evidenciamos um aumento de 20%, enquanto que no Dia dos Pais o crescimento chegou a 12%. Em datas como o Dia dos Namorados, o percentual chegou a um ganho de 16%, já no dia das Mães, o mercado on-line cresceu 8%, com destaque paras as vendas realizadas por mobile. Este avanço deve-se a vários fatores, em particular, a questões como: o desenvolvimento e a melhora da capacidade de processamento dos dispositivos móveis; queda dos preços devido à concorrência constante dos fabricantes; o aprimoramento e o desenvolvimento de softwares responsivos, com plugins de pagamento e integrados ao estoque; sistemas de geoprocessamento e integração com todas as plataformas de mídias sociais e comércio eletrônico, e, claro, ao Google!
Estes dados se contrapõem aos recuos do PIB em 2016, de -3,6%, e em 2015, a inflexão chegou a -3,8%. A maior recessão da história brasileira supera a que os meus avós vivenciaram nos anos 1930 e 1931, pós crise de 1929, com quedas seguidas do PIB em cerca de -2,1% e -3,3%, respectivamente.
Os números acima, referentes ao incremento de vendas pela internet, tem o intuito de ilustrar e comparar com o período de queda brutal de vendas no varejo brasileiro nos últimos dois anos. Ou seja, apontam o pior desempenho desde a criação da série histórica em 2001. As quedas foram de 6.2%, em 2016, e 4,3%, em 2015.
No “novo” mundo de negócios, a tecnologia brinca, deita e rola com os espaços físicos tradicionais, inclusive com recursos tão dispendiosos aos empresários como aluguéis, energia, impostos prediais, coleta de lixo, bombeiro, limpeza urbana, contratação de funcionários e os respectivos encargos trabalhistas, segurança e altos custos de manutenção predial para os que investem em uma loja física no Brasil. Sendo assim, o armazenamento das lojas virtuais é mais fácil, pois os produtos ficam na “nuvem”, isso mesmo, e não ocupam espaços físicos, estando dispostos em seções bem definidas e catalogadas por preços, marcas e modelos, tecnicamente divididas.
Há 20 anos, o varejo de grande porte, nos mais diferentes setores econômicos, se qualificava superlativamente diante dos clientes e do mercado. Ou seja, se intitulavam: “A maior rede do Nordeste” ou “a maior rede do Brasil”. Na atual realidade, os mercadológicos, os estatísticos e as agências de publicidade deveriam evitar este tipo de posicionamento e não conceituar as redes desta forma, por não ser mais necessário agregar este valor como uma ferramenta para se diferenciar da concorrência.
Os pontos de venda físicos estão se remodelando, encolhendo e adequando-se à nova realidade. A tendência é que as lojas físicas convivam harmonicamente com as virtuais, cada uma usando os seus recursos, potencializando os impulsos do consumidor e valorizando as suas melhores características. Acredito que os dois formatos devem se complementar de forma harmônica, mas não devem se enxergar como concorrentes, pois os prejuízos e a perda de share of market virá a curto prazo.
Setores afins, que completam a cadeia varejista, vão se desenvolver ainda mais nos próximos anos. Áreas como logística e integração dos moldais, telecomunicações, informática, mobile, armazenamento de dados - cloud, geoprocessamento, plataformas de e-commerce e pagamentos vão acompanhar e expandir junto com o progresso das redes sociais.
Hoje, na maioria dos setores, é muito promissor desenvolver uma boa plataforma de e-commerce, até para atender stands de shopping, por exemplo. A limitação geográfica não deve ser um impedimento para as vendas e entregas.
Os segmentos ainda estão patinando para formatar unidades, referências e modelagens tornando seus produtos mais personalizados e com menos possibilidades de trocas. Através de seus centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D), o setor criará novas tecnologias com a ajuda do laser e das impressoras 3D, já existentes no mercado, com intuito de gerar novos parâmetros de medições mais precisas para o corpo humano e as casas, viabilizando compras on-line mais eficientes, diminuindo a necessidade do toque no produto, antes de comprar.
A logística no nosso país ainda vai sofrer um pouco para cumprir com a sua missão de entregar os produtos e finalizar a cadeia da venda. As estradas de escoamento estão em sua maioria em estado sofrível e a nossa empresa pública centenária, os Correios, está enfrentando sua pior crise. A tendência agora é que haja abertura com a entrada das gigantes multinacionais neste setor.
Ressaltando ainda mais a importância deste modelo de negócio, a China deve fechar 1/3 dos 4.000 centros de compras (Shoppings) e dos 7.000 que estão em construção nos próximos anos por causa do crescimento exponencial do e-commerce.
Para finalizar, as grandes redes, shoppings e lojas especializadas devem conviver harmonicamente com o comércio on-line, cada negócio em seu perfil porque cada um tem suas particularidades e expertises.
É isso, a tecnologia muda a economia, mas a economia também muda a tecnologia. Nessa relação recíproca, quem não se atualiza, poderá perder participação, competitividade e poder empresarial nos próximos anos. Pode até ter a empresa dragada pelo mercado, como em muitos cases que temos acompanhado na crise que se intensificou nos últimos dois anos no Brasil.
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